















Sinto que tenho muito para dizer. Esta salada está a dar comigo
Não estou a passar pela melhor fase! Tornei-me vulnerável, bastante até, como eu receava ficar e o pior é que não sei o motivo desta súbita mudança. Talvez a estabilidade a que não estava minimamente habituada ou então o excesso de confiança que não existiu e que se apoderou de mim sem eu dar por isso. Não sei e não quero tentar encontrar mais razoes para justificar este estado, quero é voltar ao meu normal.
Quero sentir saudades de um modo saudável e viver os medos e inseguranças de forma racional.
Tenho a chave do meu coração na palma da mão esquerda. Ainda não sei bem o que fazer com ela. Se decidir abri-lo tornar-me-ei numa pessoa vulnerável, indefesa. Se decidir engoli-la tenho a certeza que solidificarei, mais um bloco de gelo incapaz de se deixar afectar pelo aquecimento global. Quem me dera que houvesse um meio-termo, que o pudesse deixar só meio aberto. Quero entregar-me com toda a inocência e ingenuidade de uma rapariga de dez anos, quero ter o meu mundo cor-de-rosa indestrutível! Quero maravilhar-me com cada sussurro e sorriso mas não quero desilusões. Quero viver intensamente, criar ligações inquebráveis sem me magoar se por acaso as tentarem cortar.
Quero abri-lo com um escudo na mão direita.
Hoje vou para além da normalidade.
Foram sucessivos ataques de saudades e desta vez não foram só tuas.
Não sei ao certo quantos passaram pelo meu pensamento!
São tantas as pessoas que já não fazem parte do meu mundo e que eu gostava que fizessem.
O orgulho é capaz das piores coisas e eu já não sou capaz de culpar ninguém senão a mim.
Sinto a falta de ti e de ti e também de ti.
Gostava tanto de poder partilhar todos os momentos contigo, todos os segredos e sentimentos.
Queria continuar a escrever no meu Diário.
Acho que as palavras saíram aos trambolhões!
Está encurralado!
Quatro paredes e uma porta fechada a sete chaves, nem sequer direito a uma janela tem.
Quer respirar, gritar ao mundo a razão da sua existência.
Mas nem isso é capaz de fazer.
Não há força suficiente.
Em tempos conseguiria ter coragem de abrir paredes arrancar fechaduras. Hoje, sem alimento, apenas se limita a esperar.



Fixou-se no vazio durante uns instantes e voei! Viajei por memórias profundas e pensamentos distantes. Descobri que não se vive numa sociedade justa nem num seio familiar completamente sincero. Saímos da normalidade e somos logo alvo de olhares e comentários, indirectos! Nada que descubra por mim, mas pelos outros. Necessito de mudança, quero sair deste mundo pequeno para me inserir num maior. Quero pessoas que se estejam a cagar para tudo e todos, quero pessoas que não se preocupem com o que os outros pensam, quero pessoas autênticas, não quero imitações. Quero alargar horizontes, quero aprender.
Tenho medo de me tornar numa coisa estranha como as que vejo no meu dia-a-dia!