A memoria das palavras gastas não se apaga, dos olhares cruzados não se desvanece, do toque delicado não desaparece, apenas o sentimento foge entre as recordações. Ficam os momentos eternos como que gravados em rocha até ao dia em que esta se desfaz e se transforma em areia. Talvez aí outro casal trocando mãos numa praia paradisíaca possa retomar a historia perdida e dar-lhe um final feliz. Talvez esses consigam concretizar os sonhos espalhados de casar e constituir família numa casa de campo.Talvez... mas agora estamos abandonados numa infinidade de acontecimentos inesperados.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
terça-feira, 21 de maio de 2013
Navegando num mar cinzento já há quatro meses, o barco começava a sofrer as consequências das intensas e repetidas tempestades que havia sofrido. Os raios de sol que surgiram outrora já não eram suficientes para manter o coração da tripulação aquecido e a viagem parecia já estar condenada numa imensidão de água. Os mantimentos escasseavam e os tripulantes fraquejavam. A luz ao fundo do ceu nublado não surgia e há semanas que a rota se havia perdido. O capitão já desesperado dava-se por vencido mesmo após todas as batalhas e obstáculos ultrapassados, a esperança tinha abandonado os seus olhos. Ele, melhor que ninguém, sabia que não havia salvação para a embarcação. que aquele grandioso cinzento monstruoso não iria desvanecer, ele elonquecia e calculava mas nada lhe parecia dar o rasgo de força, perdera-se na imensidão da cor e da cabeça.
- O mar é perigoso, já dizia a minha avó, "mesmo quando colocares os pezinhos na água não tires os olhos das ondas, respeita-o, que ele respeitar-te-a"
A embarcação perdeu-se no centro do gigante, levada pelo desrespeituoso orgulhoso capitão que pensou ter tudo controlado.
Os corpos, as velas, a âncora, o leme, ... esses ficaram e permanecem no fundo das cinzas à espera de um dia serem salvos por uma mergulhador observador de corais experiente.
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