terça-feira, 21 de maio de 2013


Navegando num mar cinzento já há quatro meses, o barco começava a sofrer as consequências das intensas e repetidas tempestades que havia sofrido. Os raios de sol que surgiram outrora já não eram suficientes para manter o coração da tripulação aquecido e a viagem parecia já estar condenada numa imensidão de água. Os mantimentos escasseavam e os tripulantes fraquejavam. A luz ao fundo do ceu nublado não surgia e há semanas que a rota se havia perdido. O capitão já desesperado dava-se por vencido mesmo após todas as batalhas e obstáculos ultrapassados, a esperança tinha abandonado os seus olhos. Ele, melhor que ninguém, sabia que não havia salvação para a embarcação. que aquele grandioso cinzento monstruoso não iria desvanecer, ele elonquecia e calculava mas nada lhe parecia dar o rasgo de força, perdera-se na imensidão da cor e da cabeça.

- O mar é perigoso, já dizia a minha avó, "mesmo quando colocares os pezinhos na água não tires os olhos das ondas, respeita-o, que ele respeitar-te-a"

A embarcação perdeu-se no centro do gigante, levada pelo desrespeituoso orgulhoso capitão que pensou ter tudo controlado.

Os corpos, as velas, a âncora, o leme, ... esses ficaram e permanecem no fundo das cinzas à espera de um dia serem salvos por uma mergulhador observador de corais experiente.

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