segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Primeiro Sábado de Maio, manhã primaveril e solarenga e nós ainda sem dormir, completamente acelerados, entusiásticos após mais uma noite de Sexta-feira, na cama enrolados e suados sem conseguir cessar as invasões, uma atrás da outra, com vitórias e derrotas. Poderíamos permanecer por mais umas demoradas horas, num ritmo irracional, sexo matinal é sem dúvida deslumbrante. Mas, e há sempre o mas, era dia de limpezas. Levantamo-nos, perfeitamente desnudados e cozinhamos o pequeno-almoço, como eu adorava cozinhar contigo, como eu adorava admirar-te com a frigideira nas mãos, era impossível desviar o olhar, um homem torna-se tão sexy na cozinha, não demorei a iniciar nova batalha. Aqueles balcões gemeram connosco, assim como a farinha e os ovos que se juntaram. Alimentados e saciados (temporariamente) lançámo-nos à sala desfeita, barulhenta e deveras nauseabunda. Cervejas, whisky, salgadinhos, pizza, cigarros, cinza e o estômago de alguém no canto. Entre esfregonas, espanadores, vassouras e aspiradores lá conseguimos criar um ambiente razoavelmente agradável. Aquele cheiro, aquela organização, aquela frescura tinha de perder a virgindade imediatamente, aquele sofá demasiado intacto e puro (aos meus olhos) precisava de ser desrespeitado, leste-me os pensamentos e as almofadas automaticamente desapareceram. A nossa união era admirável, dois corpos em cuidada conexão em qualquer parte do mundo. Eu irreversivelmente amava-te no sofá, na cama, no chão, no balcão, no jardim, na rua, no banco, eu amava-te e desejava-te desmedidamente.
Os sábados que eu tanto abominava em criança, tinham-se convertido no paraíso da semana.
Acabámos por adormecer no chão, envolvidos na carpete.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Estava sombrio e silencioso, assustador. A chave enferrujada demorou na fechadura perra. Escutei gotas de água a espancarem o chão violentamente, ai o eco! Entrei com medo, sem saber onde tinha os pés, sem perceber o caminho, eram escadas, três apenas. Tropecei, como sempre desastrada e agarraste-me com um beijo. Rodopiamos, dançamos e abraçamo-nos. Um primeiro beijo a um desconhecido conhecido há meio ano, um beijo às escondidas, no escuro, na cave como se ainda permanecêssemos na adolescência. Um beijo daqueles que não nos molha somente os lábios, mas que atinge todos os poros do corpo, que nos fazem tremer e desesperar por mais. Desorientada, apaixonei-me.



O coração precisa de tempestades não de mar calmo. 

Naquele momento, trovejaste em mim, adorei, toda eu estava em catástrofe numa euforia total. 
Entraste-me sem avisar, arruinaste a serenidade, destruíste-me e ficaste só tu, preso no pensamento. Tu e eu não fazíamos um nós, embora soubéssemos que a ligação não iria ser quebrada.