Estava sombrio e silencioso, assustador. A chave enferrujada demorou na fechadura perra. Escutei gotas de água a espancarem o chão violentamente, ai o eco! Entrei com medo, sem saber onde tinha os pés, sem perceber o caminho, eram escadas, três apenas. Tropecei, como sempre desastrada e agarraste-me com um beijo. Rodopiamos, dançamos e abraçamo-nos. Um primeiro beijo a um desconhecido conhecido há meio ano, um beijo às escondidas, no escuro, na cave como se ainda permanecêssemos na adolescência. Um beijo daqueles que não nos molha somente os lábios, mas que atinge todos os poros do corpo, que nos fazem tremer e desesperar por mais. Desorientada, apaixonei-me.
O coração precisa de tempestades não de mar calmo.
Naquele momento, trovejaste em mim, adorei, toda eu estava em catástrofe numa euforia total.
Entraste-me sem avisar, arruinaste a serenidade, destruíste-me e ficaste só tu, preso no pensamento. Tu e eu não fazíamos um nós, embora soubéssemos que a ligação não iria ser quebrada.

1 comentário:
TQM
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