
Para começar, não posso começar, tenho mesmo que recuar aos tempos duros e recordar a minha turma fantástica de secundário. Realmente fantástica, sempre todos prontos a alinhar em tudo, “Vamos, assim não tenho que estudar”; “Ainda bem que me convidaste, estava mesmo a precisas de afastar a cabeça dos livros”; “Ei a sério? Café hoje a noite? Faço os trabalhos de casa no intervalo”, não por acaso não, agarrados aos livros como meu tio mais avarento é ao dinheiro. Sinceramente nunca vi tal coisa. Foi então que eu pensei “Mas que caralho, não vou gastar 250€ numa viagem de finalistas, para ir com alguns nerd’s que nem sequer sabem o que é uma cuba”. Sim, eu desisti da ideia. Chamem-me estúpida, otária o que quiserem mas por amor de deus, eu não ia passar vergonhas. Aconteceu o mesmo com o baile. Sapatos que a avo usa para lavrar o campo? Xailes? Madeixas azuis no cabelo? Meias de rede? Já para não falar da lingerie, ainda bem que essa estava tapadinha. Do nada, os pensamentos voltaram, “Que raio é que estou aqui a fazer? Vergonhoso, embaraçoso (…)”. Agora ponham-se a dizer que tenho a mania que sou superior aos outros e que não respeito ninguém, por favor, se tivessem no meu lugar desesperavam. O ano lectivo acabou, o pesadelo terminou, andava ansiosa por conhecer novas pessoas, mas sinceramente devia andar um bocado deslocada, queria fazer novos amigos numa academia militar, que nem sequer tem nada a ver comigo, definitivamente o meu décimo segundo ano acabou comigo. Abdiquei de tudo. Fiquei mais um ano, tinha tempo para por as ideias em ordem, aproveitaria para melhorar notas e quem sabe realizar alguns objectivos que tinham ficado pendentes no ano anterior. É isso mesmo, estou-me a referir à viagem de finalistas. O meu segundo decimo segundo era nosso, sim meu e teu, nosso, a minha melhor amiga comigo em Lloret, não podia querer mais nada, festas todos os dias, noites, praia, rapazes, andávamos tolas só de pensar nisso. Lloret foi sempre a nossa vontade até ao ultimo instante em que decidimos optar por Benidorm, os amigos mais conhecidos, a associação de estudantes, (…). Estávamos com o pé mesmo atrás, mas lá fomos. Não vou desatar a contar a nossa viagem porque isso não interessa para o caso, o que interessa mesmo é quem conhecemos, ou melhor quem eu conheci. Osvaldo? Romana Meireles? O teu perfume enlouqueceu-me naquele elevador bastante espaçoso, as tuas ervilhas despertaram-me o maior dos interesses, a tua voz grossa e imensamente sexy captaram a minha atenção. Burra, estúpida, atrasada. Foi com estes pensamentos que entrei no autocarro com destino a Famalicão. Nem um contacto, um mail, um numero de telemóvel, uma matricula, nada, nada, nada, de nenhum dos lisboetas. Que desanimo, não havia nada a fazer. Chegamos a Famalicão. Dormir, dormir, dormir. Continuar com a rotina. Apareceu um antigo rapaz. Fomos estando, nada de entusiasmo, confesso que devia ser mais para combater a solidão que outra coisa. Não estava satisfeita, de modo algum. Mas tudo muda no momento em que a minha melhor amiga resolver colocar os nossos vídeos da viagem no youtube. Encontrei outros vídeos, vários vídeos, de outras escolas, de outras agencias de viagem, até que encontrei um com a moca do Afonso, tenho que dizer que a moca era mesmo grande, e que adorava a musica que ele estava a ouvir, andava a prestar atenção a tudo menos às cobertas da cama e ao sofazinho de quarto, exactamente iguaizinhos ao do meu no grande hotel marina. O calor começou a subir, a exaltação também. Apressei-me a fazer a intensa pesquisa no google e descobri o mail do Rocha, um dos lisboetas. Hi5, Hi5, Hi5. Quem me visse devia mesmo achar que uma barata tonta me tinha possuído. Encontrei, eu não sei como, ainda estava atordoada. Comentário. Respondeste. Comentário. Respondeste. Comentário. Respondeste. Assim sucessivamente até que recebo uma mensagem “tens musculatura mase no penteado”. Hospital psiquiátrico? Não, não foi de lá que a mensagem veio, foi mesmo do JP Ascenso. Numero de telefone. Histérica, completamente. Mensagem. Mensagem. Mensagem. Durante 1 mês e seis dias sem pausas. Record. Eu nunca aguento mais que duas semanas neste ritmo. Tornaste-te no meu panda. E por ti fui até Lisboa. Não é uma grande coisa, mas eu nunca tinha feito uma viagem tão longa por alguém. Durante a viagem só pensava em como seria o primeiro encontro. O nervosismo aumentava, mas não era só isso, a ansiedade conseguia tomar conta de mim, o facto de a minha tia te conhecer exactamente no mesmo dia que eu desorientava-me, comia palavras, tropeçava nas letras. Passou tudo no momento em que te vi a sair do teu Punto Azul, não notaste e eu nunca te disse mas a minha babete imaginaria tratou de apanhar a minha baba toda. Aquele final de tarde, e os nossos dentes bem sexy’s. Nada aconteceu, também era normal, num primeiro encontro nunca se trocam beijos, é sinal de fraqueza. O segundo dia chegou, não me apetece contar todos os momentos que passamos na praia, apetece-me tocar mesmo no nosso primeiro beijo, que só aconteceu porque eu não aguentava mais e porque a tua dança à Angélico me matou. Em biquinhos de pés lá atingi os teus lábios, no meio daquela multidão eu nada ouvia, o salão parecia só nosso. Foram os melhores dias. Até à despedida a emoção nunca diminui, muito pelo contrário. Recordo-me como se fosse hoje das lágrimas a escorrerem-me até ao queixo, do nó que se originou cá dentro no momento em que entrei no expresso. Uma semana foi o máximo que aguentamos sem nos vermos. Vieste cá, pela primeira vez apresentei um rapaz aos meus pais. Tornaste-te único, levaste-me a ter atitudes que eu não pensava ter tão cedo, a falar com medo e certezas. Aquela tarde, o colchão vermelho húmido pelas lágrimas, as conversas, as gargalhadas, foi sem dúvida único. Como tem sido tudo.
Meu panda ontem disseste-me que era o destino, hoje eu acredito em ti e dou graças por ter tido uma turma cheia de nerd’s, por não ter entrado na academia militar, por ter a minha melhor amiga no decimo segundo ano, por não ter ido para Lloret.
Um caminho cheio de obstáculos mas com uma linha bem traçada, um caminho que me levou até ti, um caminho que me faz sentir como eu nunca me senti.
Meu panda ontem disseste-me que era o destino, hoje eu acredito em ti e dou graças por ter tido uma turma cheia de nerd’s, por não ter entrado na academia militar, por ter a minha melhor amiga no decimo segundo ano, por não ter ido para Lloret.
Um caminho cheio de obstáculos mas com uma linha bem traçada, um caminho que me levou até ti, um caminho que me faz sentir como eu nunca me senti.
10 comentários:
Este texto está realmente bonito. *.*
Os pensamentos são a unica coisa que fica sempre connosco. E são controlaveis. :)
Ahahah. Eu sei, eu sei...
Quando se acha que uma pessoa escreve bem, lesse tudo, e eu acho que são estes textos é o que nos dão mais prazer a escrever, pois, é neles que nos soltamos e deixamos transparecer tudo. E o amor que tens por esse rapaz, transparece muito. :)
Não tens que agradecer. A serio.
A quantidade de sentimentos para explusar da minha vida, certamente, vou-me divertir imenso. Estou mortinha para ver coisas novas e pessoas e habitos. Estou muito, muito ansioda que chegue amanhã a noite. Parece uma eternidade. xD
É optimo ter este sentimento e, toda a gente gosta de ver coisas novas. ,)
«comia palavras, tropeçava nas letras.»
oohhh *_* a parte da dança à Angélico só me deu para rir x) mas o resto derreteu-me.
ohhhh*_* que texto tão fofinho.
nossa. ADOREI, q texto lindissimo, q história . faz'me lembrar uma minha, mas a minha foi mesmo em Lloret :)
continua a lutar por esse amor, as maiores felicidades*
Sem dúvida um lindo texto :)
Bonito amor, bonita história que só tenho a desejar muitos mas MUITOS capitulos cheios de aventura, descobertae magia para esse grande amor :)
Bjinhos
é o amor! e sim é lindo!
Ho, não acredito :(
Minha linda, não te deixes ir abaixo! Segue o que sentes, sempre*
ai é mt grande xD
Já li... És uma naba apaixonada! xD
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