Primeiro Sábado de Maio, manhã primaveril e solarenga e nós ainda sem dormir, completamente acelerados, entusiásticos após mais uma noite de Sexta-feira, na cama enrolados e suados sem conseguir cessar as invasões, uma atrás da outra, com vitórias e derrotas. Poderíamos permanecer por mais umas demoradas horas, num ritmo irracional, sexo matinal é sem dúvida deslumbrante. Mas, e há sempre o mas, era dia de limpezas. Levantamo-nos, perfeitamente desnudados e cozinhamos o pequeno-almoço, como eu adorava cozinhar contigo, como eu adorava admirar-te com a frigideira nas mãos, era impossível desviar o olhar, um homem torna-se tão sexy na cozinha, não demorei a iniciar nova batalha. Aqueles balcões gemeram connosco, assim como a farinha e os ovos que se juntaram. Alimentados e saciados (temporariamente) lançámo-nos à sala desfeita, barulhenta e deveras nauseabunda. Cervejas, whisky, salgadinhos, pizza, cigarros, cinza e o estômago de alguém no canto. Entre esfregonas, espanadores, vassouras e aspiradores lá conseguimos criar um ambiente razoavelmente agradável. Aquele cheiro, aquela organização, aquela frescura tinha de perder a virgindade imediatamente, aquele sofá demasiado intacto e puro (aos meus olhos) precisava de ser desrespeitado, leste-me os pensamentos e as almofadas automaticamente desapareceram. A nossa união era admirável, dois corpos em cuidada conexão em qualquer parte do mundo. Eu irreversivelmente amava-te no sofá, na cama, no chão, no balcão, no jardim, na rua, no banco, eu amava-te e desejava-te desmedidamente.
Os sábados que eu tanto abominava em criança, tinham-se convertido no paraíso da semana.
Acabámos por adormecer no chão, envolvidos na carpete.













