Hoje escrevo porque quero obrigar o meu coração a falar, ultimamente tem estado muito calado, tem criado silêncios constrangedores, tem arranjado um montão de problemas e não quero criar mais um. Hoje tens de falar, quer queiras quer não! Há dias em que temos de mostrar quem manda, há dias em que não podemos deixar o coração decidir por nós, este é um deles.
Quero obrigar-te a falar porque hoje é um dia especial! Quer dizer, não é só por ser dia 18, é por seres quem és, é por ser uma despedida, é porque mereces tudo o que vou dizer, é porque meti folga vários dias e não devia. A minha pessoa por vezes consegue ser um ser muito estúpido frio e cruel, ninguém tem culpa e eu atribuo-a aos mais inocentes sem dar sequer uma única justificação. Fecho-me e sofro com isso, isolo-me e não sou capaz de gritar por ajuda! Eu realmente queria.
Gostava de conseguir pedir, simplesmente pedir e não estar constantemente à espera que percebam o meu sofrimento. Gostava de ir ter com um amigo, falar dos meus problemas e esperar um pouco de compreensão, mas não dá! Perco tanto com isso, não só os afasto como também afasto os problemas deles. E não merecem, realmente não merecem.
Comecei por generalizar, ultimamente tenho atingido os meus limites e acho que te fiz sentir mal por isso, logo agora que estamos prestes a despedirmo-nos! Não é que vá embora de vez mas a mudança assim o exige. Temos que nos mentalizar que nada vai ser igual, que a distancia é um monstro papão e que vamos seguir caminhos diferentes.
E temos que nos mentalizar que somos das melhores amigas e que ninguém nos pode arrancar o passado, que a distancia é apenas um obstáculo e ainda temos um futuro para construir e que os nossos caminhos apesar de serem diferentes não têm necessariamente de ser paralelos.
Há que pensar que a despedida não termina com nada apenas deixa em modo stand-by, quero pensar que ainda vamos viver muito como vivemos ate agora.
Partilhar momentos, como a infância em que corríamos de um lado para o outro com as saiinhas de pregas, em que tocávamos juntas flauta, em que cantávamos no coro, … A nossa primaria foi sem duvida o começo ideal.
Logo depois veio o tempo do volei e esse nem da para escrever, foi das melhores fases da minha vida, não só por adorar o desporto mas por ter sido acompanhada por pessoas fantásticas. Todos os episódios, todas as gargalhadas, todas as discussões continuam guardadas e são relembradas constantemente.
Realmente foi bom ter crescido contigo!
Foi bom termos aqueles segredos todos!
Foi bom termos aquela zanga interminável!
Sinto que crescemos tanto com tudo.
Ao longo dos anos só poderia melhorar.
As parvoíces e as mocas,
As conversas e os desabafos,
As idas à praia,
…,
Amizades assim não se encontrar e há que saber preserva-las! Ouviste bem? Eu não sou um bom exemplo.
Mesmo assim, quero que saibas que vou estar sempre aqui para ti, com 300 e tal km a separar-nos ou não, com chatices pelo meio ou não, vou estar sempre aqui como sempre tentei estar. Não quero imaginar-te daqui a uns meses triste e desamparada sem eu saber de nada, compreendido?
Toma bem conta dele, conta-lhe os segredos todos, faz dele a tua memória! Ele contar-me-á tudo.
Amo-te oh minha burra! Desculpa se não o demonstro todos os dias.
Parabéns,
Ps: o texto não ficou bem como eu queria.
És uma merda! Não te portaste nada bem.